Papa aos bispos gaúchos: não percam a leveza e o humor

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Andressa Collet e Silvonei José - Vatican News

"Um tempo de oração" resume a passagem dos bispos gaúchos pelo Vaticano na semana passada quando estiverem em visita ad Limina Apostolorum. A síntese foi feita pelo arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, em entrevista a Silvonei José. Os 23 bispos e arcebispos do Rio Grande do Sul peregrinaram pelas 4 basílicas papais, localizadas em Roma, iniciando pela de São Pedro e seguindo pela de São João de Latrão - a catedral da capital romana, de Santa Maria Maior e de São Paulo fora dos Muros - essa, justamente no último dia de visita ad Limina, na sexta-feira, dia 6 de maio.

"Poder celebrar nessas basílicas é quase como que tocar com a mão a história, o patrimônio de fé e de cultura que esses espaços conservam. Eu diria uma experiência profunda de oração no espírito de peregrinação e, ao mesmo tempo, de comunhão, não só entre nós, bispos que formamos o Regional Sul 3 da CNBB no Brasil, mas em comunhão com toda a Igreja."

A audiência com o Papa

Na quinta-feira, 5 de maio, os bispos gaúchos foram recebidos pelo Papa Francisco, no Vaticano. O encontro de duas horas aconteceu num espaço de demarcação livre, como bem descreveu dom Jaime sobre o que aconteceu na audiência:

"Ele nos acolheu muito cordialmente, até com algumas, como se diz aqui na Itália, 'battuta'. Isso, talvez, no português, algumas tiradas, poderíamos dizer no nosso 'gauchês'. Depois ele pediu que os assessores se retirassem que ele queria realmente estar só com os bispos. E foi muito interessante, depois que saíram, portas fechadas, ele nos diz assim: 'podem abordar qualquer assunto, qualquer tema, qualquer questão que cada um de vocês traz no coração podem aqui ser colocadas em comum. E se tiverem críticas, as façam também. Isso certamente criou um espaço leve, solto, uma liberdade para o diálogo, ímpar. E isso foi realmente muito impactante."

A paz, a vida dos bispos e do Brasil

Ao comentar sobre os assuntos tratados na audiência, o arcebispo de Porto Alegre comentou que foram abordados vários aspectos da vida da Igreja em nível universal como da realidade local, além de várias outras questões como a sinodalidade e o Pacto pela Educação. Primeiramente, porém, foi tocado no argumento da paz que tem ganhado espaço tanto na imprensa internacional como dentro da comundiade de fé com a guerra na Ucrânia, "um conflito que, de repente, rompe no coração da Europa com toda a sua história e o seu peso cultural e econômico", disse dom Jaime, que acrescentou:

"Mas nós não podemos jamais esquecer que é uma expressão de um conflito muito maior que estamos vivendo e, certamente, a questão da paz a todos interessa. Depois tocamos em questões mais intra-eclesiais, a vida dos presbíteros, de nós bispos, a realidade da América Latina - foi longamente debatida, também a realidade nossa brasileira - com situações delicadas que todos nós conhecemos. E o Santo Padre conhece muito bem, está muito a par de tudo aquilo que nós estamos vivendo na nossa realidade brasileira."

Não perder o humor, aconselhou o Papa

Ao ser questionado no detalhe sobre alguma recomendação específica do Papa Francisco aos bispos gaúchos, o vice-presidente da CNBB afirmou que foram várias, mas, em especial, uma bem peculiar:

“Ele dizia assim, de uma forma muito simples: não percam o humor, não percam a leveza diante das diversas situações que a realidade pastoral impõe, que a realidade social pede, enfim, que a sociedade impõe a nós, bispos. Leveza, o olhar sempre no Evangelho - o ponto de partida tem que ser o Evangelho, e talvez, eu diria, o Evangelho e a cruz. Claro, essa 'tirada', por assim dizer do Santo Padre, descontraiu de uma forma particular aquilo que nós estávamos experimentando. Quem de nós poderia imaginar que de repente ele nos pedisse para não perder o humor?”

 
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