Nas emissões filatélicas, os pobres de São Pedro no rosto dos Magos

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Benedetta Capelli – Cidade do Vaticano

Nos traços dos Magos, protagonistas do primeiro dos dois selos dedicados ao Natal, está o perfil de quem vive na rua, de quem carrega nas costas a sensação de fracasso ou de quem luta contra algum tipo de dependência. A singularidade é que isto foi obra de Adam Piekarski, jovem polonês, também ele uma das tantas pessoas vulneráveis ​​que frequentam a Praça de São Pedro. O olhar atento dos voluntários nos chuveiros descobriu seu talento, o amor pela arte, a paixão com que reproduzia seus companheiros de caminhada em folhas de papel.

Ao lado dos selos de Natal, compostos pela reprodução da Sagrada Família como lembrança do ano especial da Família Amoris Laetitia e dos Magos que vão a Belém para adorar Jesus, estão os selos dedicados ao V Dia Mundial dos Pobres, com folhas que reproduzem a celebração da Missa e o almoço partilhado com eles.

É recordado depois o IX Centenário de fundação da Abadia de Prémontré -  com a profissão solene de São Norberto e seus 40 companheiros - e as viagens do Papa em 2020, condicionadas pela pandemia, ou seja, apenas o encontro na cidade italiana de Bari com o tema "Mediterrâneo: fronteira de paz". Por fim, é proposta uma peregrinação ideal ao redor da Terra a caminho rumo ao Jubileu de 2025, sendo a primeira emissão dedicada à Oceania.

Oferecer uma oportunidade

 

O Vatican News perguntou ao Padre Francesco Mazzitelli, vice-chefe dos Correios (Posta Vaticana) e Filatelia do Vaticano, como nasceu a iniciativa de criar essa sinergia nas emissões filatélicas para o Natal deste ano...

Este ano os selos de Natal foram feitos por um morador de rua que usa os chuveiros que opor desejo do Papa Francisco foram instalados perto da Colunata no Ano Santo da Misericórdia. Este jovem costumava usar a ducha e enquanto esperava a sua vez, pintava, desenhava ou por vezes levava alguns quadros feitos onde dormia. Um dia ele levou um exemplar de Salvador Mundi atribuído a Leonardo da Vinci, mostrando suas qualidades, suas habilidades pictóricas. Então conversando com os outros voluntários, pensamos em lhe dar uma oportunidade, de fazer os selos de Natal. Propusemos quer ao esmoler, cardeal Krajewski, como ao presidente do Governatorato, monsenhor Vergez. Ambos ficaram felizes, compartilharam o projeto e por isso durante este verão procedemos à realização gráfica das pinturas.

Nos Magos estão os rostos dos pobres ...

Dos três magos, dois são livremente inspirados em duas pessoas que realmente usam as duchas, mas o terceiro, em vez disso, é fruto da imaginação porque, de alguma forma, representa a todos. Este projeto foi desejado porque o Natal é a festa que torna visível o invisível e na nossa sociedade estes nossos irmãos são invisíveis. E então, por meio dessas duas imagens usadas para os selos, de alguma forma queríamos torná-las visíveis. Até porque é o sentido de serviço que os voluntários desempenham nas duchas. Os chuveiros estão localizados perto da Colunata do lado por onde se entra na Basílica e quem entra deve de alguma forma se encontrar ou se deparar com essas pessoas. Entramos na Basílica para encontrar o Senhor, mas devemos poder encontrá-lo também nos pobres e em nossos irmãos.

Depois, o selo pode ser a inspiração para uma catequese de Natal?

Certamente. São Paulo, na carta aos Colossenses, diz que o filho de Deus, ao se encarnar, tornou visível o mistério de Deus. Assim, tornar visíveis os pobres é como fazê-los sair do nada, são chamados à existência, lhes é dada dignidade, e é uma coisa muito importante. O autor destes selos foi remunerado da mesma forma que os demais artistas que colaboram com o Escritório Filatélico.

Como Adam reagiu à sua proposta? O que essa visibilidade pode significar para um morador de rua considerado invisível?

No começo ele ficou um pouco assustado, porque é uma pessoa muito humilde, muito tímida, então ele não queria, mas seus companheiros o encorajaram. Foi um belo caminho até chegar a esses selos. O projeto começou na primavera passada e depois, aos poucos com seus amigos, com seus conterrâneos, tentamos ajudá-lo e então ele fez essas pinturas. O que essa produção significa para nós? Significa o que diz o Evangelho: promoção humana integral, o que significa que não devemos tratar apenas da alma, mas devemos propor uma vida plena, devemos propor aos homens e mulheres do nosso tempo uma plena realização, à luz do Evangelho.

 
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