Economia de Francisco: espaço para o diálogo entre os jovens

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Silvonei José – Assis - Vatican News

Segundo dia de trabalhos e encontros no evento global da Economia de Francisco em Assis, convocado em 2019 pelo próprio Papa Francisco. Ontem o início das atividades no Teatro Lyrick. No início dos trabalhos uma recordação dos jovens que não puderam estar presente neste encontro devido a problemas com o visto de entrada na Itália. Na parte da manhã os jovens se encontram em sessões, discussões e mesas redondas para apresentar ideias e projetos, e enfrentar questões econômicas e os desafios contemporâneos.

O programa completo desses três dias se realizará entre o Teatro Lyrick, o Palaeventi em Santa Maria dos Anjos e o centro histórico de Assis com algumas conferências, workshops e vilas temáticas. Tudo centrado na coleta das ideias e experiências geradas em todo o mundo nos últimos três anos de trabalho.

Teremos ainda hoje e amanhã espaço para momentos de diálogo entre os jovens com figuras de renome internacional, para discutir as suas propostas e continuar a aprofundar os grandes desafios do nosso tempo, começando pela construção de uma economia de paz. Está disponível ao lado do Teatro Lyrick uma área permanente, definida como incubadora para ideias-projetos, onde se realizam sessões de networking e workshops temáticos”.

O evento global da Economia de Francisco tem seu ápice amanhã, sábado, 24 de setembro, com o encontro de jovens de todo o mundo com o Santo Padre. Entre os mais de 1.000 jovens presentes, 100 são provenientes do Brasil. No encontro deste sábado com o Papa a assinatura do Pacto por uma nova economia.

A presença brasileira está integrada por articuladores, educadores sociais, pesquisadores e economistas. Nos dias que antecederam o Encontro em Assis a visita à Pontifícia Comissão para a América Latina, CAL, um encontro onde foi apresentado um documento (cartilha) com a Articulação Brasileira para a Economia de Francisco e Clara e a Rede Igrejas e Mineração no qual se destaca o papel feminino nas alternativas econômicas. Economia, um substantivo feminino. Inspirados por Clara e Francisco, os jovens expressam o “desejo de uma mudança profunda na abordagem estabelecida até agora para as relações econômicas", diz o texto. Como uma orientação coletiva fruto de reflexões, reuniões e escuta das realidades, a cartilha apresenta princípios para viver a Economia de Francisco e Clara a partir da ação das Igrejas, em uma abordagem baseada na Ecologia Integral, no Desenvolvimento Integral, nas alternativas anticapitalistas, nos Comuns e em outras práticas.

Para Guilherme Cavalli, membro da ABEFC e coordenador da Campanha de Desinvestimento em Mineração, a oportunidade de reunir jovens do mundo e propor outros paradigmas econômicos “é aterrizar o chamado do papa Francisco, por seu testemunho, desde a exortação Evangelii Gaudium até a encíclica Fratelli Tutti”. “Como juventudes do mundo, temos um espaço para partilhar e construir outros modelos econômicos que não aposte na exploração da Mãe e Irmã Terra, na exploração desumana da força de trabalho em determinadas zonas geográficas, em um capital internacional que continua as colonialidades sobre nossos territórios”, comenta o ambientalista.

Entre os temas-chave propostos pelo grupo está a atribuição a Santa Clara, junto com Francisco de Assis, como figura inspiradora para entender o chamado à "caridade" em Jesus que o movimento chama a concretizar.

Nós conversamos com o jovem Guilherme Cavalli sobre o Encontro de Assis.

O Evento global de Assis é uma oportunidade para os jovens conhecerem as experiencias de outros países, de outros continentes, de outras realidades culturais, descobrindo assim modelos alternativos de desenvolvimento.

Segundo os participantes brasileiros há uma maturidade política, uma habilidade política de quem está construindo a Economia de Francisco e Clara que é perceber que são os territórios, se empoderando sobre processos cada vez mais de democracia econômica, de organização popular, que geram um processo de transformação. Ainda segundo eles a Economia de Francisco e Clara, não deve ser uma única resposta para o mundo, mas ela tem sua resposta a partir dos territórios. Isso o leva a afirmar a necessidade de entender a Economia de Francisco e Clara como “uma expressão a partir dos territórios e não como uma plataforma que pega um documento para debater com políticos ou empresários”, e sim como “um processo de retomada das experiências territoriais”.

Uma expressão disso é a economia solidária, que gera renda, trabalho cooperado, superação da fome a través da agroecologia, mas também os bancos comunitários, o orçamento participativo, que leve a discutir para onde está indo o orçamento do povo.

O grande parceiro da Economia de Francisco e Clara é o Pacto Educativo Global, que leva a discutir dentro das escolas, dos espaços de educação global e comunitária, nas comunidades eclesiais, ajudando a perceber o território como lugar de potencialidades, não como lugar de ausências, e com isso a uma retomada do comunitário.

Agora a expectativa é o encontro com Francisco neste sábado. O Pontífice estará em Assis nesta manhã de sábado onde poderá olhar nos olhos e nos rostos de mais de mil jovens de todas as partes do mundo.

O Santo Padre chegará à cidade da Úmbria por volta das 9h30 e será recebido por três jovens participantes da iniciativa, pelo prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Michael Czerny, pelo arcebispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino e bispo de Foligno, dom Domenico Sorrentino, pelas autoridades civis, e pelo economista Luigino Bruni, um dos promotores da Economia de Francisco junto com a irmã Alessandra Smerilli, e a doutora Francesca Di Maolo. Em seguida, no Palaeventi de Assis, o encontro do Papa com os jovens. Haverá um momento teatral artístico. Depois, oito jovens contarão suas experiências. Por fim, o discurso do Papa, a leitura e assinatura do Pacto entre Francisco e os jovens. No final da manhã, o Papa retorna ao Vaticano.

Dom Domenico Sorrentino, lembrou nestes dias as palavras do Santo Padre quando, no início da Economia de Francisco, disse aos jovens: "Espero vocês em Assis!". Depois, a pandemia aumentou os tempos do encontro, mas nunca interrompeu o diálogo. Francisco sempre esteve presente, mesmo de longe, mas "tê-lo entre nós", diz dom Sorrentino, "é outra coisa".

 
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