“Reflexão sobre as 7 Dores de Maria”

“Reflexão sobre as 7 Dores de Maria”

Algumas pistas de reflexão para que possamos meditar sobre as 7 Dores de Nossa Senhora e assim ingressarmos de mente e coração abertos na Semana Santa.

1ª. DOR: “A Profecia de Simeão” (Lc 2, 25 - 35)

Eis que uma espada de dor transpassaria o coração de Maria
Esta dor nos ensina a virtude da obediência, pois Maria foi obediente à vontade de Deus.
Que nos nossos sofrimentos e angústias possamos confiar em Deus.
Como falar de obediência mundo que supervaloriza a autonomia e independência?
Que possamos obedecer não por motivos humanos, mas por amor àquele que se fez obediente até a morte de cruz.

2ª. DOR: A Fuga para o Egito (Mt 2, 13-14)

Foi preciso partir às pressas para preservar a vida ameaçada de Jesus.
Esta dor nos impele a meditar sobre o sofrimento, que é inerente à nossa condição humana.
Difícil realidade num mundo pueril que se anestesia apressadamente quando o sofrimento e a dor nos batem à porta.
Que possamos manter a serenidade diante do sofrimento que não podemos evitar.

3ª. DOR: “Maria procura Jesus em Jerusalém” (Lc 2, 41-48)

Maria toma consciência de que o menino Jesus não lhe pertence plenamente.
Esta dor nos submete a fazer a vontade de Deus e não a nossa.
Nossos precisam no decorrer da caminhada aprender com esta dor: pois para um projeto maior, nossos entes queridos precisam sofrer a dor da saudade e do distanciamento.
Os filhos pertencem a Deus, e isto é uma dádiva.
E a nós, que esta dor nos ensine a sobrepor o amor a Deus a todo amor humano.

4ª. DOR: “Jesus encontra sua Mãe no caminho do Calvário” (Lc 23, 26-29)

A mãe acompanha silenciosamente as pegadas do filho inocente, justo e santo.
Não há diálogo, mas uma troca de olhares e uma companhia discreta, fiel e solidária.
Esta dor nos ensina o valor do silêncio. Silêncio este que precisa ser vivido no recôndito do nosso ser diante do sofrimento.
Como falar de silêncio num mundo que preza pelo barulho e pela exposição?
Relembremos: pelo olhar Maria pôde sentir. Isso relembra as nossas mães que apenas pela tonalidade da nossa voz já sabem se estamos bem ou não.
Que possamos aprender a silenciar quando nada podemos fazer diante da dor.

5ª. DOR: “Maria ao pé da Cruz” (Jo 19, 25-27)

Aqui ela compreendeu o significado das palavras de Simeão.
Deus nos ensinou a humildade pela humilhação.
Esta dor nos ensina a virtude da humildade.
Como sofrer tranquilamente diante das injustiças a humilhação, num mundo que prega a autossuficiência e a prepotência?
Que a dor do crucificado nos ensine a humildade que precisamos para prosseguir.

6ª. DOR: “Maria recebe nos braços o corpo do Filho” (Lc 23, 50-53)

Acima de tudo, foi preciso ter forças para receber seu filho nos braços.
Foi a fortaleza de Maria que a permitiu permanecer em pé e incólume diante da cruz.
Muitas de nossas mães teriam desmaiado...
Esta dor requer de nós uma extrema confiança em Deus e na sua Mãe quando estiver pesada a nossa cruz.
Que diante da desesperança, possamos relembrar da Mãe de Jesus como no Auto da Compadecida quando João Grilo grita: “Pensa que me entreguei, eu vou apelar...Valha-me Nossa Senhora...”

7ª. DOR: “Maria deposita Jesus no sepulcro” (Jo 19, 38-42)

Maria precisou se refazer pois agora se tornaria mãe da humanidade.
Esta dor nos ensina a virtude da serenidade.
Diante de tudo o que até agora dissemos, ser humilhado e permanecer sereno pode nos causar espanto: mas Deus amou a humilhação e se humilha e esconde sua magnificência na simples hóstia branca que logo mais será nosso alimento.
Ou seja, Deus é invisível para não absorver o homem com a sua presença.
Que mesmo diante do sofrimento Deus nos ajude a manter a serenidade na longa caminhada da vida.

Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, Mãe dos pecadores!


Fr. Rodrigo Pereira, scj
Convento SCJ – Taubaté/SP




 
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